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2003/07/22

Recordando Xánatos, parte III: 

“Há dias em que me sinto mais. Há dias em que me sinto mais.”
Eis, acabadinha de traduzir, mais uma frase de XÁNATOS (o filósofo grego, o radical do bigode, o arqui-rival de Sócrates). Mais uma preciosidade, uma lasca viva de filosofia renascida do passado, trazida até nós na concha das mãos do aturado grupo de arqueólogos do pensamento humano que o vem estudando e descobrindo. Atente-se à leveza poética e ao peso do significado. Um regalo. É sabedoria em filigrana.
E a prova de sua autenticidade está, desde logo, na repetição. Essa é uma particularidade dos registos dos pensamentos de Xánatos (sempre julgou, condescendente, que o problema do seu discípulo e secretário Ptolo, e causa das suas parvoíces, era a surdez, pelo que repetia sempre e pacientemente tudo o que lhe ditava. Mas Ptolo, aquele estúpido, escrevia tudo a dobrar...)
“Há dias em que me sinto mais. Há dias em que me sinto mais.” Sublime.
É óbvio que já há polémica. Estas coisas são assim. Há estudiosos que contestam o rigor da tradução, dizendo que houve uma troca de verbos. Em vez de “sentir” alegam que o vocábulo original deve ser traduzido para “sentar”. Devendo a frase ser: “Há dias em que me SENTO mais. Há dias em que me sento mais”. Balelas, simples balelas. Partindo daqui, já há até quem, maliciosamente, tente aferir considerações sobre a saúde do filósofo. Tudo vago e infundado. Inclusive, sabe-se que as hemorróidas só foram descobertas muito mais tarde, aquando da disseminação do caril.

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