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2003/07/21

Recordando Xánatos 

Isto tem tudo muito que se lhe diga. Já Xánatos, um ainda pouco estudado filósofo grego, contemporâneo de Sócrates (chegaram a morar na mesma rua e a frequentar as mesmas tertúlias, só que em mesas diferentes) fundou o seu pensamento revolucionário na decisão inédita, arrojada (suicida, dizem alguns biógrafos), de... rapar a barba. Sentiu que a sua teoria (foi naquele momento que ele percebeu que tinha uma) haveria de nascer de um acto, de um gesto, de uma movimento; daquilo que hoje costumamos chamar: atitude. De uma atitude demiurga (palavra esta que ele próprio esteve quase para inventar). E estava certo - a partir do momento em que rapou a barba todo um novo mundo conceptual se configurou, todo um conjunto de verdades insofismáveis se revelaram (aliás foi por isso que lhe vedaram, posteriormente, a entrada no clube dos sofistas, aqueles malucos). Mas porquê? O que é que um gesto aparentemente simples (mas profundamente rebelde - ao tempo, é sabido, a barba fazia parte da «indumentária» do nobre cidadão de Atenas), como rapar a barba tem de tão poderoso? É fácil: ele não rapou a barba, simplesmente (isso faziam os escravos, por imposição dos seus senhores e razões de higiene). A sua carlotina permaneceu até ao dia da sua morte um gracioso jardim, um verdadeiro palco para o seu espectacular... bigode. (...)
(Ex dono "Pastilhas")

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