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2003/10/20

É agora! Agora é que vou escrever o mais belo poema de todos os tempos, 

disse o poeta, pousando o copo de uísque no tampo da escrivaninha, cuidadosamente, ajustando com um rigor suposto a sua distância em relação à garrafa quase vazia. Sorria, todo o seu corpo vibrava e sorria, e a folha branca pairava no ar, radiante. Pegou na caneta e constatou, divertido, como pela primeira vez, a suavidade da sua textura, e ouviu nos dedos o palpitar frágil do seu coraçãozinho de tinta. Mas, ao contrário do que seria desejável, a caneta virou-se de lado, aconchegou-se melhor e adormeceu-lhe na mão.
Fica para a próxima, disse o poeta, por fim, debruçando-se na escrivaninha, pousando a cabeça nos braços. Abrigou a caneta sob si, com ternura, e deixou-se levar pelo sono. (Deixou-se levar porque podia, claramente...)

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