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2003/11/03

Não me lembro de ter tido um sonho tão giro como o desta noite. 

Era a cores (technicolor), em ecran panorâmico e passava-se no tempo dos romanos. Metia quadrigas, cidades escavadas em montanhas, muralhas vigiadas por guardas armados de lanças e escudos. Segundo entendi, eu era uma espécie de Messias, o gajo que ia liderar uma revolução qualquer. Era protegido por um senhor de idade, vestido de forma andrajosa, como eu, que me escoltou até ao interior da cidadela.
Lembro-me que quase fomos descobertos por uma patrulha de romanos, mas conseguimos escondermo-nos numa vala. Logo a seguir quase fomos atropelados por uma quadriga puxada por quatro cavalos negros. Fiquei sem fôlego.
Lembro-me também de ter contabilizado alguns erros de continuidade na narrativa, que o espectador do sonho facilmente iria detectar, a saber: antes de entrar na cidadela, eu e o meu "guia-protector" fomos a um mercado e compramos dois peixes grandes; mas, na cena seguinte, já estamos dentro da cidadela e não trazemos os peixes connosco; noutra altura, estou eu dentro de um quarto, trocando a minha roupa encardida de suor e pó por uma túnica de alvo linho (se bem me lembro, foi na parte em que eu aguardava a visita de uma ninfa meio sagrada que me ia revelar, na cama ali ao pé, algo de muito interessante que tinha a ver com o voo de águias), quando reparo que a vista da janela é lindíssima (vastas colinas castanhas sob uma céu azul profundo), mas tem visíveis umas muito anacrónicas antenas metálicas da rede eléctrica de alta tensão.
Decidi que tinha de alertar o realizador do sonho para isso.
Depois acordei, com o despertador. Sem perceber o coiso do voo das águias.
Isto não é ficção, foi mesmo um sonho...

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