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2003/11/25

Vai ser agora. É agora que vou escrever o mais belo poema de todos os tempos,  

disse o poeta, apavorado, encolhendo-se na cadeira, desviando inconscientemente o olhar da escrivaninha, da folha branca, da caneta, que o aguardavam com disponibilidade total. O próprio poema já lá estava, calado, latejando nos músculos, doendo, era só colhe-lo com precisão e despejá-lo por ordem no papel, houvesse fôlego para tal e não lhe tremessem as mãos.
Mas, ao contrário do que seria desejável, (ou tal vez não) uma urgência do quotidiano correu em seu auxílio e a oportunidade de um telefonema surgiu. Fica para a próxima, disse o poeta, por fim, aliviado, digitando o número num afã. E deixou-se resgatar pelo sinal de chamada e pela voz que o acolheu e o aconchegou numa imensa banalidade qualquer. (Deixou-se resgatar porque podia, felizmente... Livra!...)

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