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2003/11/13

Vai ter de ser! É agora! Agora é que vou escrever o mais belo poema de todos os tempos, 

disse o poeta, endireitando-se na cadeira, centrando a folha de papel na escrivaninha, pegando na caneta como num estilete, inspirando profundamente. O ar que lhe encheu o peito revelou-lhe que seria aquele o momento de fazer a incisão definitiva, rasgar as entranhas da folha, operar o milagre. Mas, ao contrário do que seria desejável, a expiração a que teve de se render a seguir foi um suspiro, que lhe despiu o desejo e lhe desarmou os ombros. Fica para a próxima, disse o poeta, por fim, afastando a cadeira e levantando-se. Chegou-se à janela, que continha uma rua deserta, e decidiu fazer-lhe companhia até que a chuva chegasse. (E decidiu assim porque podia, de certeza...)

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