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2003/12/16

É agora! É agora que vou escrever o mais belo poema de todos os tempos, 

disse o poeta, ofegante, a voz abafada pela gola erguida da gabardina, avançando no seu encalço com passos vigorosos, através do universo cinzento e rugoso das pedras da calçada, seguindo-lhe o rasto fresco, adivinhando-o já.
Mas, ao contrário do que seria desejável, o presente barrou-lhe o caminho, a poucos metros da cauda do primeiro verso, que logo dobrou a esquina, escapando.
Fica para a próxima, disse o poeta, por fim, resignando-se, pregado ao chão. E deixou-se ali quieto, a recuperar o fôlego, recusando-se a voltar para trás. (Deixou-se ali quieto porque podia, claro. E estava com falta de ar...)


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