<$BlogRSDUrl$>

2004/01/12

É agora! É agora, rápido! É agora que vou escrever o mais belo poema de todos os tempos, 

disse o poeta, avançando pela escadaria, em voo rasante sobre os degraus, galgando andares, rodopiando pelo interior do prédio, aspirado pela força sublime do primeiro verso que lhe fisgara o peito e lhe exigia um papel e uma caneta.
Mas, ao contrário do que seria desejável, chegado à porta de sua casa, deu pela falta das chaves, que ficaram esquecidas no porta-luvas do carro.
Fica para a próxima, disse o poeta, por fim, praguejando, fulminado pelo peso do próprio corpo, ofegante e dorido, que o atirou contra um chão de mármore e mediocridade. E meteu-se no elevador, voltando à rua. (Meteu-se no elevador porque podia, claro. Pelo que paga de condomínio, mal pareceria!...)

Comments: Enviar um comentário

This page is powered by Blogger. Isn't yours?