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2004/03/25

Pronto. É agora que vou escrever o mais belo poema de todos os tempos, 

disse o poeta colocando a última pasta no armário (3/Z- 03/04), emergindo da repartição pública terrena e alcançando enfim o tempo da planície verdejante de que planeara servir-se para soltar as suas palavras. Abriu a porta aos substantivos primeiro, para se fartarem de trevos e ervinhas tenras, e depois aos pronomes pessoais, artigos e proposições, mais numerosos e traquinas. Aproveitou também para lanchar, deitando-se entre as raízes de um carvalho frondoso que pontuava a paisagem e degustando a sombra de um raminho de folhas aquecidas “al dente” pelo primeiro sol da Primavera.
Mas, ao contrário do que seria desejável, uma alcateia de adjectivos com cio e alguns advérbios mal encarados, irromperam os trambolhões pelo prado, provocando alvoroço e duvida nas restantes palavras, erguendo no ar poeira e ansiedade.
Fica para a próxima, disse o poeta por fim, abandonando o seu rebanho à natureza e lamentando não ter ali uns bons verbos para manter a ordem.
(Abandonou o seu rebanho porque podia e porque, afinal, não tem que prestar contas a ninguém…)

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